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Igor Renovato e a Coquetelaria Popular Carioca

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Olha o Igor aí no dia em que teve casamento no Bode Cheiroso

Por Pedro Landim

É do balcão do Garoa Bar Lounge, no Leblon, e da cozinha de sua casa, na Lapa, que o Igor Renovato comanda seu show carioca de raiz. O passeio vai do Cinzano ao Tanqueray. Do Dreher ao Lillet. Durante o período de quarentena, o “adestramento etílico” criado pelo bartender para ensinar coquetelaria de forma descontraída ganhou a internet, em lives imperdíveis que versam sobre sua matéria atual: a Coquetelaria Popular Carioca (sim, vamos grafá-la com iniciais maiúsculas).

Vestido com a camisa da Verde e Rosa, da sua amada Mangueira, e na companhia de um bichinho amarelo de corda que virou mascote e ganhou a alcunha de “pintinho brocador”, Igor ensina drinques como o Sex on the Bode: cachaça no lugar da vodca, e no lugar do licor de pêssego… Jurupinga. A trilha sonora passeia entre Clara Nunes e o Samba do Trabalhador.

O barman em ação no balcão do Bar Madrid

“Bebi muita coisa que o pessoal fala mal, para conhecer de fato as bebidas populares de botequim. Por que virar as costas?”, questiona. Quem conhece, por exemplo, o verdadeiro rabo de galo, que entrou na moda e adentrou as cartas mais requintadas?

“Fiz um tour por cinco botequins da Lapa pedindo o rabo de galo. Aqui no Rio é um traçado, com cachaça e as outras bebidas que o dono tiver vontade e misturar”.

Igor quer abrir o funil. Deixar de lado os termos rebuscados da mixologia, e atender ao pedido da vizinha em São João de Meriti, onde ele foi criado, na Baixada Fluminense: “Ela disse que tenho que ensinar também ‘a galera do auxílio’ a fazer drinques. Então escalei as lendas: Campari, Dreher, Cinzano, Sagatiba, Cynar e Jurupinga”.

Aos 28 anos e graduado em cursos no Senac e Faetec, além de outros diversos de coquetelaria, Igor fez a melhor ‘universidade’ misturando rum Big Apple com soda, e soltando hi-fis e cubas-libres em ambientes como o Olimpo, casa de shows populares na Vila da Penha, e a mítica La Cicciolina, extinta boate de Copacabana especializada, vamos dizer assim, em striptease.

Mangueira: um canto de fé e presença certa na quadra / Foto Alex Akuma

Hoje premiado por publicações especializadas pelo trabalho autoral (e requintado) no Garoa, e famoso no métier, costuma dar expedientes em eventos como um casamento que teve como púlpito o balcão do Bode Cheiroso, concorrido botequim pé-sujo na Tijuca. Entre coquetéis da casa como o Água de morcego (Campari, Limão e Fogo Paulista) e a Maria mole (Dreher com Contini), Igor improvisou uma espuma com batida de gengibre, cachaça e limão.

“A ideia é criar conexões entre o conceitual e o popular, daí vem a tradição. O gim tônica conseguiu isso, e vários botequins já fazem o drinque. A coquetelaria precisa atravessar o túnel e chegar ao subúrbio, se aproximar das pessoas”.

De mais a mais, é como diz um dos bordões com que o bartender pontua suas postagens na internet, retirado de um dos sambas mais bonitos de Paulinho da Viola: as coisas estão no mundo, só precisamos aprender.

* Matéria publicada também na revista Sabor.Club.

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