Sobre    Contato

O Velho Oeste Carioca

1
Want create site? Find Free WordPress Themes and plugins.

 

Favela da Catacumba, na Lagoa, nos anos 1960

Por Toninho NascimentoCompositor e estoriador –

O Rio já teve a sua época de Velho Oeste, os anos 60, e também os seus “mocinhos”: o detetive Perpétuo de Freitas e o detetive Milton Le Cocq. Apesar de operarem com estilos diferentes, as mãos imprevisíveis de Orunmilá teceram o nó que uniu as linhas do tempo dos dois policiais.

Perpétuo, um caboclo forte, de 1,90m, apresentava-se quase sempre de terno branco, o paletó aberto deixava à mostra a pistola na cintura. Office-boy, eu o via às vezes ali pelas bandas da Assembleia Legislativa, e a sua figura índia, com os cabelos escorridos cobrindo o rosto, hipnoticamente chamava a minha atenção.

Marqueteiro, dispensava a participação de outros canas em suas ações. Ao descobrir o esconderijo, invariavelmente localizado em um morro, do procurado, entrava em qualquer birosca ao pé da encosta, com um repórter a tiracolo, e mandava alguém ir avisar à sua presa que descesse até onde ele estava, caso contrário, subiria. A sua fama ia junto com o recado. A foto de Perpétuo segurando a ponta da corda que amarrava as mãos do capturado saía, então, estampada na capa da revista O Cruzeiro.

Le Cocq, alto, esguio, com cara de gringo, de boina preta e segurando uma sacola de supermercado, que camuflava a metralhadora, movia-se nas sombras com o seu grupo, do qual fazia parte o detetive Sivuca, que notabilizou-se com o aforismo “bandido bom é bandido morto”.

Le Cocq, ex-integrante da Polícia Especial, internalizou o espírito de equipe próprio dos PEs, hábeis motociclistas que eram a maior atração das paradas de 7 de setembro devido as pirâmides humanas que formavam equilibrando-se em suas potentes Harley-Davidson. Nesse mister, um dependia do outro.

Outros tempos de nossa cidade

Certo dia, meu pai, que vendia pão a domicílio pela região do Lins, disse pra mim: “Antonio Carlos, ontem, por volta das 6 da manhã, vi o Le Cocq no Morro da Cachoeirinha… Tinha um morto no chão…”
Le Cocq morreu atingido por um tiro disparado por Cara-de-cavalo, que fugia depois de ter assaltado um ponto-de- bicho.

Anos se passaram, e eu conheci Jorge Galante, o algoz de Perpétuo, na Casa da Zezé, uma Pensão encravada na zona e frequentada também por sambistas, já que a Zezé era chegada a um ziriguidum e namorava o compositor Flávio Moreira. Deixo a palavra com Jorge Galante, que me deu a sua versão sobre o que aconteceu na Favela do Esqueleto.

“Eu tinha acabado de entrar pra Polícia. O delegado me chamou pra me dizer que o Cara-de-cavalo estava na Favela do Esqueleto, e que eu tinha sido escolhido pra comandar uma equipe e prender o elemento. Chegamos na Favela, nos entocamos numa birosca e já estávamos nos preparando pra dar o bote quando o Perpétuo apareceu e disse que ele é que ia prender o Cara-de- cavalo. Eu respondi que eu é que ia prender, pois tinha recebido ordens do Delegado. O Perpétuo não gostou e me deu um tapa tão forte que eu caí no chão, e do chão mesmo eu puxei o revólver e atirei. Se eu não fizesse isso, Toninho, eu ia ficar sem moral na Polícia”.

O nome do solitário Perpétuo eclipsou-se, mas o do Le Cocq foi incorporado pela Escuderia Le Cocq, que, dizem, foi o útero que deu à luz o Esquadrão da Morte, que dividiu, por uns tempos , o noticiário policial com o Mão Branca, um PM, hoje sargento reformado, que agia anonimamente sozinho. Aí já é outra história…

Did you find apk for android? You can find new Free Android Games and apps.
Compartilhar:

About Author

1 comentário

Leave A Reply

dezoito + 7 =